A redução das taxas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado entre 2023 e 2026 pode ter gerado um impacto positivo de cerca de R$ 1,16 trilhão para a economia mundial, sob a forma de danos climáticos evitados. Do total do benefício global gerado pelo combate ao desmatamento, até R$ 192 bilhões correspondem diretamente à proteção da própria economia brasileira. As conclusões constam em estudo elaborado pelo economista Bráulio Borges e divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
O levantamento tomou como base os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que apontaram queda de 41,8% no desmatamento na Amazônia e de 23,8% no Cerrado no último período de 12 meses analisado. Na comparação de blocos de quatro anos, cerca de 22,3 mil km² deixaram de ser derrubados nos dois biomas em relação ao período anterior (2019–2022). Essa conservação evitou a emissão de 1,49 bilhão de toneladas de gases do efeito estufa (GEE), utilizando a métrica do Custo Social do Carbono para calcular os prejuízos financeiros que deixaram de afetar a agricultura, a saúde e a infraestrutura globais.
A pesquisa também ressalta que o cálculo monetário do carbono evitado sequer mensura todos os ganhos regionais advindos da preservação dos “rios voadores” — correntes de umidade que garantem as chuvas essenciais para a agropecuária, a geração hidrelétrica e o abastecimento urbano no Centro-Sul do país. Diante desses resultados, o autor sugere que a métrica do Custo Social do Carbono passe a ser incorporada na avaliação e no planejamento de grandes obras de infraestrutura e políticas públicas pelo governo federal.