Porto Velho completa 111 anos, mas os primeiros habitantes chegaram há milênios; entenda

 Porto Velho, celebra 111 anos de criação oficial neste 2 de outubro, mas sua história vai muito além: pesquisas arqueológicas apontam que a região já era habitada por povos indígenas há pelo menos 10 mil anos.

Segundo o arqueólogo e professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Carlos Zimpel, durante escavações realizadas na região do Rio Madeira foram encontrados microvestígios botânicos, artefatos de pedra lascada e polida, usados para cortar, raspar e manipular alimentos.

Outro achado importante são os solos enegrecidos, conhecidos como terra preta, um tipo de solo de coloração escura, associado às antigas práticas agrícolas da região.

“Eles apresentam características que comprovam alterações feitas por populações humanas. Não é um solo enegrecido por acaso. Ele é mais rico em nutrientes e muito mais estável em relação ao pH, o que o torna extremamente fértil”, explica Zimpel.

Há cerca de 8 mil anos, os povos indígenas da região do Rio Madeira já manipulavam o ambiente para cultivar plantas, armazenar alimentos e desenvolver técnicas que melhoravam sua sobrevivência e qualidade de vida. Nesse período, eles começaram a se familiarizar com diversas plantas que mais tarde seriam domesticadas, como abóbora, feijão, cará e a mandioca

Materiais líticos lascados, sítio arqueológico Garbin, rio Madeira, 8500 anos AP — Foto: Reserva Técnica do Departamento de Arqueologia da UNIR

Materiais líticos lascados, sítio arqueológico Garbin, rio Madeira, 8500 anos AP — Foto: Reserva Técnica do Departamento de Arqueologia da UNIR

“A partir dessas primeiras domesticações, também surgem os primeiros registros de terra preta indígena na Amazônia. Embora esse tipo de solo não seja exclusivo de Rondônia, os primeiros vestígios conhecidos foram encontrados nessa região, possivelmente ligados às práticas agrícolas antigas”, conta o arqueólogo.

Zimpel também explica que foram achados vários sítios arqueológicos na região, cada um ligado a uma cultura diferente. Isso indica que muitos povos indígenas, com línguas e tradições distintas, viveram ou passaram por Rondônia ao longo do tempo.

As cachoeiras de Santo Antônio, Jirau e Teotônio chamavam atenção desses grupos, possivelmente por serem ricas em peixes ou por estarem em locais de grande movimentação de pessoas.

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Os primeiros contatos

Em entrevista ao g1, o professor e historiador Célio Leandro afirmou que o primeiro contato registrado entre o homem branco e povos indígenas de Rondônia ocorreu em 1722. Na época, o sargento Francisco de Melo Palheta foi enviado pela Coroa Portuguesa para mapear e fiscalizar o Rio Madeira diante do risco de avanço espanhol na região.

Nos relatos da expedição, Palheta descreveu as dificuldades nas cachoeiras e o encontro com povos originários. O rio passou a ser conhecido como Rio das Madeiras pelos portugueses, em referência aos troncos que desciam pela correnteza. Mas para os indígenas seu nome era outro: Kaai Ia Ri.

O arqueólogo Carlos Zimpel explica que, em 1723, foi criada a Missão de Santo Antônio do Madeira, usada como núcleo de conquista territorial. Nessas missões, indígenas eram escravizados e forçados à conversão religiosa.

A partir de 1750, a Coroa Portuguesa passou a instalar postos fiscais para consolidar a presença na região. Um deles teria sido construído na Cachoeira de Jirau, mas as evidências arqueológicas foram destruídas com a construção da usina hidrelétrica. Outro ponto de ocupação foi a Cachoeira do Teotônio, onde funcionou um posto de fiscalização da navegação entre 1760 e 1775.

https://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2025/10/02/porto-velho-completa-111-anos-de-criacao-mas-os-primeiros-habitantes-chegaram-ha-milenios-entenda.ghtml

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