O Brasil está envelhecendo rapidamente. Atualmente, milhões de brasileiros já ultrapassaram os 60 anos e a expectativa de vida continua aumentando. Diante desse cenário, preparar-se para um envelhecimento saudável deixou de ser apenas uma preocupação individual e passou a ser um desafio para toda a sociedade.
Em entrevista ao programa Conexão RH, a médica e fisioterapeuta Dra. Fabíola Aparecida de Oliveira Sousa, pós-graduanda em Geriatria, explicou que envelhecer é um processo natural e que qualidade de vida nessa fase depende, principalmente, dos hábitos adotados ao longo da vida.
Segundo a especialista, a longevidade não deve ser medida apenas pela quantidade de anos vividos, mas pela capacidade de manter autonomia, independência e bem-estar físico e emocional.
Envelhecer faz parte da vida
Durante a entrevista, Dra. Fabíola ressaltou que muitas pessoas evitam falar sobre envelhecimento, embora seja uma realidade inevitável.
Para ela, aceitar essa etapa da vida permite que cada pessoa adote medidas preventivas capazes de reduzir doenças, preservar a funcionalidade e melhorar a qualidade de vida.
A médica lembra que o envelhecimento começa desde o nascimento e acompanha todo o ciclo da vida, tornando essencial o cuidado contínuo com a saúde.
Geriatria vai além do tratamento de doenças
Apaixonada pelo cuidado com idosos desde a infância, Fabíola contou que iniciou sua carreira na Fisioterapia e, posteriormente, realizou o sonho de cursar Medicina.
Hoje, dedica-se ao estudo da Geriatria por acreditar que essa especialidade oferece uma abordagem mais ampla do paciente.
Segundo ela, cuidar da pessoa idosa significa compreender não apenas as doenças, mas também aspectos emocionais, sociais e familiares que influenciam diretamente na saúde.
A médica destaca que sintomas frequentemente atribuídos apenas à idade podem estar relacionados a alterações fisiológicas naturais ou até mesmo a problemas tratáveis quando identificados precocemente.
Saúde mental merece atenção
Outro ponto enfatizado durante a conversa foi a importância da saúde emocional.
Segundo Dra. Fabíola, sentimentos como solidão, isolamento, perda da autonomia e mudanças provocadas pela aposentadoria podem afetar significativamente o bem-estar dos idosos.
Ela alerta que tristeza constante não deve ser encarada como consequência natural do envelhecimento.
A depressão, segundo a especialista, é uma doença que precisa ser diagnosticada e tratada em qualquer fase da vida.
Por isso, familiares devem estar atentos às mudanças de comportamento e buscar ajuda profissional sempre que necessário.
O risco do etarismo
A médica também chamou atenção para o etarismo, preconceito baseado na idade.
Ela relatou situações em que idosos desenvolveram sofrimento emocional após ouvirem comentários depreciativos relacionados à idade ou à permanência no mercado de trabalho.
Segundo Fabíola, esse tipo de discriminação pode comprometer a autoestima, favorecer quadros depressivos e reduzir a participação social da pessoa idosa.
Para ela, envelhecer não significa perder capacidade produtiva, experiência ou importância dentro da sociedade.
Brasil ainda não está preparado
Na avaliação da especialista, o país ainda enfrenta dificuldades para lidar com o envelhecimento acelerado da população.
Ela acredita que são necessários investimentos em políticas públicas, estrutura de saúde, formação de profissionais especializados e ações voltadas ao combate ao preconceito contra idosos.
Além disso, defende que empresas e instituições passem a valorizar a experiência acumulada pelos profissionais mais velhos.
Procedimentos estéticos podem ser aliados
Sobre a crescente procura por procedimentos estéticos, Dra. Fabíola afirma que não existe problema em buscar recursos para melhorar a autoestima.
Segundo ela, tratamentos realizados com profissionais qualificados e dentro dos limites da segurança podem contribuir para o bem-estar.
O alerta é apenas contra os excessos.
A médica reforça que procedimentos não substituem hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, hidratação, atividade física regular e proteção da pele com filtro solar.
Três hábitos para envelhecer com saúde
Ao final da entrevista, a especialista resumiu os principais cuidados para quem deseja viver mais e melhor:
- manter equilíbrio emocional e cuidar da saúde mental;
- praticar atividade física regularmente, especialmente exercícios de fortalecimento muscular;
- manter alimentação saudável, boa hidratação e acompanhamento médico periódico.
Segundo ela, essas atitudes aumentam as chances de chegar à terceira idade com autonomia, disposição e qualidade de vida.
Próximos desafios
Com o crescimento contínuo da população idosa, Dra. Fabíola defende que o envelhecimento saudável deve ser tratado como prioridade por governos, profissionais de saúde e pela própria sociedade.
Ela acredita que investir em prevenção e educação é o caminho para que mais brasileiros envelheçam de forma ativa, independente e com dignidade.