O CINEAMAZÔNIA abriu sua 19ª edição levando o cinema para dentro da Escola Estadual Major Guapindaia, em Porto Velho. A programação busca ampliar o acesso dos estudantes ao audiovisual brasileiro e amazônico, ao mesmo tempo em que utiliza o cinema como ferramenta de educação, reflexão e valorização cultural.
Durante a abertura, os alunos participaram de sessões gratuitas e tiveram contato com cineastas, produtores, atores e outros profissionais do audiovisual de Rondônia.
A proposta vai além da exibição de filmes. Ao apresentar histórias produzidas por profissionais da própria região, o festival cria uma oportunidade para que os estudantes reconheçam no cinema elementos de sua cultura, território e realidade social.
Filmes abordam violência contra a mulher e questões amazônicas
Entre as produções exibidas esteve Contraste, filme rondoniense que aborda a violência contra a mulher a partir da trajetória da palhaça Firmina.
A produção utiliza elementos do universo circense para tratar de situações de violência e estimular a reflexão sobre respeito, empatia e direitos das mulheres.
Segundo a produtora Taiane Sales, a obra foi criada para dar visibilidade a situações que muitas vezes permanecem silenciosas.
“A arte nos permite abordar esse tema de forma sensível, mas também muito direta. Exibir esse filme para estudantes é uma oportunidade de ampliar o debate e estimular a reflexão sobre respeito, empatia e direitos das mulheres”, afirmou.
A estudante Caroline Nayara, de 17 anos, destacou a importância de levar discussões como essa para o ambiente escolar.
Segundo ela, a abordagem do tema pode contribuir para ampliar a conscientização dos jovens sobre situações que nem sempre são discutidas no cotidiano.
Produções mostram diferentes identidades da Amazônia
A programação da abertura também apresentou filmes como CL[Y]MATICS, A Expedição do Guaporé, Kika Não Foi Convidada, Jacaré, o Filho dos Andes e Beira.
As obras apresentam diferentes perspectivas sobre a Amazônia, incluindo questões relacionadas aos povos indígenas, comunidades tradicionais, população negra, cultura regional e desafios ambientais.
O filme Beira, produzido integralmente por profissionais amazônidas, foi destacado pela produtora Ana Maura Ramos como exemplo da capacidade de profissionais da região produzirem e contarem suas próprias histórias.
“Foi um filme construído por pessoas da nossa região e que mostra o negro, o indígena, os ribeirinhos e suas histórias. É importante que os alunos vejam que o audiovisual também movimenta a economia e cria oportunidades”, afirmou.
A estudante Clarice Vasconcelos, de 16 anos, também ressaltou a oportunidade de conhecer histórias relacionadas às origens e à cultura amazônica.
Cinema também pode abrir caminhos profissionais
Além de aproximar os estudantes da produção cultural, o CINEAMAZÔNIA apresenta o audiovisual como possibilidade profissional.
A presença de produtores, cineastas e outros trabalhadores do setor permite aos jovens conhecer atividades que vão desde a atuação e produção até roteiro, direção, fotografia e outras áreas relacionadas à cadeia audiovisual.
Essa aproximação também ajuda a mostrar que a produção cultural pode contribuir para a geração de oportunidades e para a movimentação da economia regional.
Para o secretário de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel), Paulo Higo, o festival contribui para ampliar a visibilidade das produções realizadas em Rondônia.
“O CINEAMAZÔNIA é muito importante para o audiovisual do nosso estado. É um espaço onde as produções feitas em Rondônia ganham visibilidade e alcançam novos públicos”, afirmou.
O secretário também destacou a realização de debates sobre meio ambiente, clima e sustentabilidade durante a programação.
Festival leva produção amazônica para escolas públicas
A realização da abertura na Escola Major Guapindaia foi considerada importante pela direção da unidade.
O diretor Célio Leandro Silva afirmou que receber o festival representa uma oportunidade de oferecer aos estudantes uma experiência cultural relacionada à história, à identidade e às questões ambientais da Amazônia.
A iniciativa também está alinhada à proposta de democratizar o acesso ao cinema.
De acordo com o diretor do CINEAMAZÔNIA, José Jurandir da Costa, levar o festival às escolas permite alcançar públicos que nem sempre têm acesso a produções audiovisuais desse tipo.
“Estar dentro das escolas é uma forma de aproximar os estudantes do audiovisual brasileiro e amazônico, estimulando o pensamento crítico, a criatividade e a reflexão sobre temas que fazem parte do cotidiano da nossa região”, destacou.
Programação segue até 7 de agosto
Após a abertura em Porto Velho, a programação da 19ª edição do CINEAMAZÔNIA continua até o dia 7 de agosto.
As atividades incluem exibições de filmes, oficinas e ações formativas realizadas em escolas públicas de Porto Velho, Itapuã do Oeste e Candeias do Jamari.
A proposta é utilizar o cinema como instrumento de educação, cidadania, formação de público e conscientização ambiental.
Incentivo à produção cultural de Rondônia
A realização do festival também contribui para fortalecer o audiovisual produzido na região.
Ao colocar filmes e profissionais amazônicos em contato direto com estudantes, o CINEAMAZÔNIA amplia a circulação das obras e ajuda a aproximar o público das produções que retratam diferentes experiências sociais, culturais e ambientais da Amazônia.
A 19ª edição é realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo e do Fundo Estadual de Desenvolvimento da Cultura (FEDEC), por meio da Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel), do Estado de Rondônia.
O festival conta ainda com apoio da Cinemateca Brasileira, Sociedade Amigos da Cinemateca, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), LUCA – Laboratório Universitário de Cinema e Audiovisual, Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).
A realização é da Acapulco Filmes.