El Niño em escala inédita: Organização Meteorológica Mundial alerta para efeitos sobre o clima global

Agosto de 2026 terminou com mais um forte sinal do avanço do aquecimento global. Dados divulgados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e por centros internacionais de monitoramento climático, nesta sexta-feira (11) indicam que o mês foi o agosto mais quente já registrado, empatando com julho de 2023 como o período mensal de maior temperatura média global desde o início das medições.

A temperatura média da superfície do planeta chegou a 16,96°C, cerca de 1,65°C acima da estimativa para o período pré-industrial. O resultado mantém o planeta em uma sequência de temperaturas excepcionalmente elevadas e reforça a tendência de aquecimento observada nas últimas décadas.

O calor também se destacou sobre os oceanos. Em agosto, a temperatura média da superfície do mar, excluindo as regiões polares, alcançou aproximadamente 21,07°C, igualando o maior valor já observado. O dado é considerado especialmente relevante porque os oceanos absorvem grande parte do excesso de calor acumulado no sistema climático.

El Niño aumenta a preocupação

O cenário de temperaturas extremas ocorre em meio ao avanço do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial e capaz de influenciar o clima em diferentes regiões do planeta.

Embora o aquecimento provocado pela concentração de gases de efeito estufa continue sendo o principal fator responsável pela tendência de longo prazo, o El Niño pode contribuir para elevar ainda mais as temperaturas globais e favorecer condições meteorológicas mais extremas.

Os sinais desse cenário já são observados em diferentes partes do mundo, com registros de ondas de calor prolongadas, secas, incêndios florestais, chuvas intensas e inundações. Na Europa Ocidental, o verão de 2026 esteve entre os períodos mais extremos já registrados, acompanhado por redução dos níveis de água em rios importantes e condições de seca em algumas áreas.

Marca de 1,5°C exige atenção

Outro dado que chama a atenção é que a temperatura global de agosto ficou mais de 1,5°C acima do nível pré-industrial. A OMM, no entanto, alerta que um único mês acima dessa marca não significa que o limite estabelecido pelo Acordo de Paris tenha sido oficialmente ultrapassado.

Isso ocorre porque a referência de 1,5°C utilizada no acordo climático internacional considera médias de longo prazo, e não o resultado isolado de determinado mês.

Mesmo assim, a repetição de temperaturas excepcionalmente altas representa um importante sinal de alerta para a comunidade científica. A combinação entre o aquecimento provocado pelas atividades humanas e fenômenos naturais, como o El Niño, pode aumentar a ocorrência de períodos de calor extremo e contribuir para mudanças no comportamento de outros eventos climáticos.

Os dados de agosto mostram que o aquecimento do planeta vai muito além dos recordes registrados nos termômetros. O fenômeno também se manifesta no aquecimento dos oceanos, na disponibilidade de água, na ocorrência de incêndios, na agricultura e na intensidade de eventos meteorológicos extremos, reforçando a dimensão global das mudanças climáticas. Com informações da Organização Metereológica Mundial (OMM).

https://newsrondonia.com.br/noticias/2026/09/11/el-nino-em-escala-inedita-organizacao-meteorologica-mundial-alerta-para-efeitos-sobre-o-clima-global

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