Índice Firjan revela melhora fiscal dos municípios

Um estudo recente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) revela uma melhora no cenário fiscal dos municípios brasileiros, impulsionada por uma conjuntura econômica favorável em 2024. A pesquisa, que analisou as contas de 5.129 cidades, mostra que a média geral alcançou 0,6531 ponto no Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), indicando uma boa situação fiscal. No entanto, o levantamento destaca que 36% das cidades, que abrigam cerca de 46 milhões de pessoas, ainda enfrentam uma situação fiscal difícil ou crítica.

O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, ressalta que essa melhora está ligada a resultados econômicos específicos e a um maior repasse de recursos, especialmente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que totalizou R$ 177 bilhões em 2024. Ele alerta, porém, que a situação pode não se repetir em outros anos, e que é crucial para as cidades desenvolverem suas próprias economias para se tornarem menos vulneráveis aos ciclos econômicos.

O IFGF avalia a gestão fiscal dos municípios com base em quatro indicadores: Autonomia, Gastos com Pessoal, Investimentos e Liquidez. A pontuação varia de zero a um, classificando a situação como crítica, em dificuldade, boa ou de excelência.

Autonomia e gastos com pessoal

Apesar da melhora geral, o indicador de Autonomia mostrou que as cidades têm média de apenas 0,4403, indicando uma gestão em dificuldade. Esse resultado evidencia a alta dependência dos municípios por transferências federais, com mais da metade das prefeituras em situação crítica. O estudo aponta que 1.282 cidades não geram receita local suficiente nem mesmo para cobrir despesas básicas.

Em contrapartida, o indicador de Gastos com Pessoal teve a melhor pontuação média, alcançando 0,7991 (boa gestão). Isso se deve, em grande parte, ao aumento da receita total, e não a um ajuste na folha de pagamentos. A Firjan destaca que, em média, os municípios destinam 46% da receita para pagamento de pessoal. Contudo, 540 prefeituras ainda comprometem mais de 54% do orçamento com essa despesa, e 131 delas ultrapassam o limite máximo da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Investimentos e liquidez

O estudo revelou que a média de investimentos públicos atingiu o maior percentual da série histórica do IFGF, com 10,2% da receita total sendo destinada a essa finalidade. A nota média no indicador de Investimentos foi de 0,7043 (boa gestão), com 1.601 cidades alcançando a nota máxima (1 ponto). No entanto, a Firjan alerta que a ausência de um plano nacional de desenvolvimento pode fazer com que esses investimentos não sejam os mais eficientes para reduzir as desigualdades.

Já no indicador de Liquidez, que verifica a capacidade das prefeituras de cobrir despesas, a média foi de 0,6689 (boa gestão). A pesquisa aponta que o aumento das receitas contribuiu para que muitos municípios terminassem o ano de 2024 com uma boa liquidez. Mesmo assim, 2.025 municípios apresentaram níveis críticos ou difíceis, e 413 prefeituras ficaram com nota zero por não terem caixa suficiente para cobrir despesas adiadas.

Desigualdade e reformas necessárias

Jonathas Goulart, gerente de Estudos Econômicos da Firjan, enfatiza a clara desigualdade regional no Brasil. Ele aponta que 98% dos municípios com alto desenvolvimento estão nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, enquanto 95% dos municípios com desenvolvimento crítico se concentram no Norte e no Nordeste.

Diante desse cenário, a Firjan defende a necessidade de reformas para melhorar a gestão municipal. Entre as principais propostas estão a revisão dos critérios de distribuição de recursos federais para incentivar a arrecadação local, e a realização de uma reforma administrativa para flexibilizar o orçamento e otimizar os gastos com pessoal. A fusão de municípios também é apontada como uma medida para melhorar a eficiência da gestão.

https://newsrondonia.com.br/noticias/2025/09/18/indice-firjan-revela-melhora-fiscal-dos-municipios/

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